Polícia realiza maior apreensão de pássaros do ano e efetua prisões
A Polícia Ambiental, em conjunto com outros órgãos de fiscalização, realizou nesta segunda-feira a maior apreensão de pássaros do ano, desarticulando uma rede criminosa que movimentava o tráfico de aves silvestres entre o Nordeste, São Paulo e Rio de Janeiro.
O caminho do tráfico
De acordo com as investigações, os animais eram capturados no Nordeste, principalmente nos estados do Piauí, Ceará, Pernambuco e Bahia, regiões onde ainda existem populações significativas de espécies muito visadas, como trinca-ferros, cardeais, azulões, corrupiós e canários-da-terra.
Após a captura, os pássaros eram transportados de forma cruel em ônibus clandestinos, carros particulares, caminhões de carga mista e até em compartimentos falsos de veículos. Muitos também viajavam escondidos em caixas improvisadas dentro de malas, sem ventilação ou alimentação adequadas.
O destino principal eram as feiras de rua e pontos de comércio ilegal em São Paulo e Rio de Janeiro, onde os animais eram expostos e vendidos abertamente, apesar da proibição.
O negócio criminoso
Segundo a polícia, cada ave podia ser revendida por valores que variavam de R$ 200 a R$ 5 mil, dependendo da espécie, do potencial reprodutivo e da fama do seu canto. A rede criminosa movimentava milhões por ano, prejudicando não só a biodiversidade, mas também os criadores legalizados, que cumprem todas as exigências ambientais.
⚖️ Prisões e crimes ambientais
Durante a operação, vários suspeitos foram presos em flagrante, acusados de tráfico de animais silvestres, maus-tratos e associação criminosa. Eles poderão responder com penas que variam de 6 meses a 5 anos de prisão, além de multas pesadas.
Impactos ambientais
O tráfico de aves silvestres é apontado por especialistas como uma das maiores ameaças à fauna brasileira. Estima-se que apenas 1 em cada 10 pássaros sobrevive ao transporte ilegal, devido às condições de estresse, fome e desidratação.
Além disso, a retirada indiscriminada de aves da natureza acelera o risco de extinção local de várias espécies, desequilibrando ecossistemas inteiros.
Nota da FIC
A Federação Internacional dos Criadores (FIC) reforça que é totalmente contra qualquer tipo de tráfico ou comércio ilegal de aves, defendendo apenas a criação legalizada, responsável e fiscalizada. A entidade destaca que os criadouros regulamentados são fundamentais para reduzir a pressão sobre os animais que ainda vivem em ambiente natural e para garantir o bem-estar dos pássaros em ambiente doméstico.
Nelson Arrué
Pres. FIC

