IBAMA mais uma vez se contradiz dentro do sistema de TI

 

IBAMA volta ao centro de críticas após novas falhas no SISPASS e contradições envolvendo anilhas e transferências

O sistema SISPASS, utilizado pelo IBAMA para controle de criadores amadores de passeriformes silvestres no Brasil, voltou a gerar revolta entre milhares de criadores após a divulgação de novas mensagens contraditórias dentro da própria plataforma oficial do órgão.

Na tela de “Transferência de Aves”, o sistema informa que “anilhas com diâmetros de 2,2 e 3,5 não são mais permitidas”, gerando confusão imediata entre usuários de todo o país. O problema é que a informação divulgada no sistema entra em choque com entendimentos administrativos anteriores, interpretações normativas e práticas que continuam sendo adotadas dentro da própria estrutura do IBAMA.

A situação reacendeu críticas antigas sobre a precariedade tecnológica do SISPASS, sistema que há anos vem sendo alvo de reclamações por instabilidade, quedas constantes, lentidão e falta de uniformidade nas informações apresentadas aos criadores.

O episódio também relembra outra matéria amplamente comentada entre os criadores, quando o próprio responsável da COFAP do IBAMA em Brasília teria confidenciado que erros anteriores do sistema ocorreram por falhas da área de Tecnologia da Informação do órgão.

Na época, a declaração reforçou aquilo que criadores vêm denunciando há anos: o sistema ambiental federal sofre com desorganização interna, ausência de atualização adequada e falhas técnicas que acabam sendo repassadas diretamente aos usuários, muitas vezes gerando insegurança jurídica e até sanções administrativas indevidas.

A nova mensagem do SISPASS causou ainda mais indignação porque criadores afirmam que não existe, dentro da criação amadora, uma separação prática de “matrizes” da forma como o sistema tenta impor. Segundo representantes do setor, o plantel do criador amador é tratado como um conjunto integrado de manejo e reprodução, diferente do modelo comercial.

Além disso, diversos criadores questionam o motivo pelo qual o próprio sistema continua apresentando interpretações divergentes sobre anilhas e transferências, enquanto processos administrativos seguem sendo conduzidos sem clareza técnica uniforme.

Outro ponto criticado é o distanciamento de parte da gestão do IBAMA em relação à realidade da criação doméstica legalizada no Brasil. Criadores alegam que muitos servidores continuam presos a uma visão ultrapassada sobre a atividade, ignorando anos de reprodução legalizada, preservação genética e manutenção controlada de espécies em ambiente doméstico.

Nos bastidores, cresce também a denúncia de que servidores que possuem posicionamento mais técnico e equilibrado sobre a criação legal acabam sendo silenciados dentro da estrutura administrativa.

Em novo contato com integrantes ligados à COFAP, o clima teria sido de desconforto após a divulgação pública de informações relacionadas às falhas operacionais do sistema. Segundo relatos, houve irritação da gestão com a repercussão das matérias envolvendo os problemas da TI e as contradições do SISPASS.

Para representantes da criação amadora, o problema deixou de ser apenas tecnológico e passou a representar uma crise de gestão institucional.

“Como um criador pode seguir regras que mudam dentro do próprio sistema sem qualquer aviso claro ou coerência normativa?”, questionou um representante do setor.

A Federação Internacional dos Criadores (FIC) afirmou que continuará acompanhando os desdobramentos e denunciando irregularidades, contradições administrativas e falhas técnicas que prejudiquem os criadores legalizados do país.

A entidade também cobra maior transparência do IBAMA, atualização real do SISPASS, estabilidade operacional e respeito aos milhares de brasileiros que mantêm a atividade dentro da legalidade.

Enquanto isso, criadores seguem enfrentando dificuldades diárias em um sistema considerado por muitos como ultrapassado, instável e distante da realidade prática da criação amadora brasileira.

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