️ IEMA impõe restrições à criação doméstica de pássaros silvestres — e criadores questionam legalidade da IN 006/2017

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA) publicou a Instrução Normativa nº 006, de 2017, que impõe novas restrições e deveres aos criadores amadores de pássaros silvestres, afetando diretamente a criação em ambiente doméstico em todo o estado a partir de Novembro.

A normativa, que deveria servir para ordenar a atividade, tem gerado indignação entre criadores e entidades, por reduzir a possibilidade de manejo legal e impor limites severos à reprodução, manutenção e transferência de aves.

Surge, então, a pergunta que ecoa entre os criadores:

Será que essa medida é realmente legal?

Houve diálogo com as entidades públicas, civis e ambientais do Espírito Santo?

A força da união: Nacional FIC em Baixo Guandu

Neste domingo, a FIC – Federação Internacional dos Criadores realiza pela primeira vez na cidade de Baixo Guandu (ES) o Nacional FIC, um grande encontro onde dezenas de criadores se unem para mostrar suas genéticas e trocar experiências sobre criação.

O evento simboliza a união e o avanço da ornitologia responsável no Brasil — e ocorre justamente no momento em que o Espírito Santo enfrenta restrições impostas pelo IEMA.

Fica o questionamento:

Será que todo o trabalho feito recentemente pelo estado, com a permissão e regulamentação de empreendimentos de criadouros comerciais para passeriformes silvestres e exóticos, voltado à construção de um verdadeiro pacto ambiental, será perdido?

Muitos criadores não têm interesse comercial, mas querem manter o direito legítimo de criar suas aves dentro da lei, conforme previsto na IN nº 10 do IBAMA e nos respectivos decretos e leis estaduais que asseguram a atividade amadora.

⚖️ O precedente do Rio Grande do Sul

A situação vivida no Espírito Santo lembra o episódio ocorrido no Rio Grande do Sul, em 2021, quando a SEMA (Secretaria Estadual do Meio Ambiente) publicou, sem aviso prévio aos criadores, a IN nº 07/2021, que também impunha proibições a espécies como o bicudo e o cardeal-amarelo, além de limitar drasticamente o número de nascimentos, anilhas e exemplares por plantel.

Na época, a medida gerou forte reação da classe ornitológica.

O então presidente da federação, Feors e das entidades filiadas no estado, Nelson Arrué, junto com o Dep. Estadual Éric Lins e de sua diretoria e associados, mobilizou um grande movimento de contestação, culminando em reunião direta com o governador Eduardo Leite.

Após ouvir os representantes, o governador determinou a revisão da instrução, garantindo:

  • O retorno das espécies proibidas à lista de criação;
  • O aumento do número de aves permitidas nos plantéis;
  • A manutenção dos 35 nascimentos, 35 transferências anuais e até 85 aves registradas por criador.

Essa conquista marcou um exemplo nacional de diálogo e sensatez na relação entre meio ambiente e criadores.

O alerta que vem do Espírito Santo

Agora, cabe às associações capixabas, federações e presidentes de clubes de criadores se unirem novamente — desta vez no Espírito Santo — para buscar apoio parlamentar e diálogo direto com o governador do estado, a fim de revisar e restringir os efeitos da IN 006/2017.

A manutenção dessa normativa, segundo especialistas e lideranças do setor, poderá gerar o efeito contrário ao pretendido:

  • Reduz a criação doméstica legalizada;
  • Estimula o tráfico de animais silvestres;
  • Favorece a entrada de aves irregulares nos criadouros;
  • E, sobretudo, enfraquece o controle ambiental responsável, que deveria ser fortalecido.

Por um meio ambiente aliado à criação responsável

O apelo das entidades é claro:

O Espírito Santo não pode repetir erros já corrigidos em outros estados.

A preservação da fauna não se faz com proibições cegas, mas com educação, rastreabilidade, chipagem, pedigree e responsabilidade ambiental.

Que o governador do Espírito Santo ouça os criadores e revise a aplicação da IN 006/2017, evitando um retrocesso que ameaça a biodiversidade e o próprio trabalho de conservação em ambiente doméstico.

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